Pretendia ser, de forma pacífica, uma revolução no conceito "Touring" na BMW, aliando a vertente turística deste segmento, ao caracter desportivo do seu novo motor.
Conviveu com a outra Touring da BMW, a R1100RT, igualmente uma referência na época.
Como o nosso amigo e sócio fundador, João Maria Trincheiras Roque dos Santos, mais conhecido por "Maltezinho", me deu a oportunidade de fazer cerca de 250 km com a dele, aqui ficam as minhas impressões.
A K1100LT é imponente.



O Posto de Comando é muito luxuoso e ergonómico.


Com muita informação disponível e bem legível.



E muitas mordomias, como regulação eléctrica do vidro frontal, punhos aquecidos e 4 piscas.

Rádio, com leito de cassetes e isqueiro.

Com colunas à frente.

E a trás.

Espaçoso Porta Luvas.

Iluminação para leitura de mapas.

Os comandos são intuitivos e bem posicionados.

E incluem, no lado esquerdo, o manuseamento do rádio.

A protecção aerodinâmica é excelente, com regulação eléctrica do vidro frontal.


E um grande cuidado na aerodinâmica.



A segurança na travagem já conta com ABS.


Com 2 discos à frente e pinças de 4 pistons cada um e 1 disco e pinça de 1 piston a trás.
E o farol é grande, com uma óptica, que proporciona uma iluminação de boa qualidade.

O motor é o K1100, com 4 cilindros em linha, longitudinais, deitados, com 4 válvulas por cilindro, arrefecidos com líquido.
Tem 1.092 c.c. de capacidade, 101 hp de potência máxima e 107 Nm de binário.

A caixa tem 5 velocidades e a transmissão final é por veio e diferencial.

A injecção e ignição são electrónicas.

A suspensão dianteira utiliza forquilha telescópica e a traseira, mono-amortecedor.
O banco é bastante confortável, largo, e em dois níveis, um para o condutor e outro para o aconpanhante.

O passageiro tem também um lugar de destaque, com uma "poltrona" para se encostar.

Este modelo "Touring".

Tem grande capacidade de carga, com duas malas laterais e uma Top-Case de grande volume.



O sistema de fecho e desmontagem das malas é muito fácil de usar.

Em andamento, é tudo muito suave, permitindo uma condução muito agradável na cidade.
O angulo de viragem é muito generoso, o que facilita as manobras mais apertadas desta mota, que não é pequena.
No entanto, é na estrada que esta BMW se sente mais à vontade, proporcionando velocidades de cruzeiro elevadas, com grande conforto e segurança.
Com tudo isto, temos de ter atenção à velocidade, pois a GNR não perdoa qualquer pequeno entusiasmo.

A viagem levou-nos à Barragem Trigo de Morais, também conhecida por Vale do Gaio, perto do Torrão.

À Barragem de Odivelas, perto da vila com o mesmo nome.

E à Barragem de Albergaria dos Fusos, perto do Alvito.

Cuba, objectivo final desta viagem, chegou ao final da tarde, antes do Pôr do Sol, como estava combinado.

O "Maltezinho", depois de fazer a recepção da sua "Motinha", deu-nos um excelente jantar "Alentejano".

Nestes 250 km, pude experimentar a excelência desta BMW que, apesar da sua idade, 23 anos, está muito bem mantida, proporcionando uma condução muito apelativa.
O motor, muito potente e cheio de binário, permite rodar, sempre sem qualquer vibração, em 5ª, desde as mais baixas rotações.
Quer em cidade, quer em estrada ou AE, quando se pretende aumentar o ritmo, basta rodar o punho do acelerador, que a LT salta, literalmente, para a frente.
Para isso, muito ajudam as relações curtas desta caixa de 5 velocidades e a excelente Injecção de combustível Bosch.
Aqui, talvez apareça a única crítica que se poderá fazer a este modelo.
Em viagem, com a 5ª engrenada desde muito cedo, e a velocidades mais elevadas, o motor é "obrigado" a rodar a rotações mais altas do que seria necessário.
Temos sempre a sensação de que podíamos ir numa relação mais elevada.
Uma 6ª era de certeza muito bem vinda.
Na sua irmã, a K1100RS, mais vocacionada para utilizações mais desportivas, essa sensação é talvez atenuada, pois tem uma relação final de desmultiplicação do diferencial menor, o que permite manter o motor em rotações mais baixas.

No entanto, na LT, a posição de condução é muito mais relaxada, onde temos a sensação de poder continuar a rolar, até ao fim do mundo, sem qualquer fadiga.
Com estes modelos, a BMW Motorrad pretendia continuar o caminho iniciado com as K100 e K75, ou seja, substituir a arquitectura dos velhos motores R, pela inovadora filosofia dos motores K.
No entanto, apesar destes motores serem tecnologicamente muito mais avançados, tanto ao nível da eficiência energética e consequentemente no consumo e na poluição, como nas performances, muito potentes e cheios de binário, e sempre com as vibrações muito bem filtradas, nunca obtiveram o sucesso comercial que a BMW Motorrad esperava deles.
Os seus clientes, onde eu me incluo, continuaram a previligiar o carisma dos motores R, o que obrigou à continuação do investimento e desenvolvimento dessa tradicional linha tecnológica.
Apesar disso, a K1100LT teve sucessão, nas K1200LT e nas actuais K1600GTL, ambas referências na sua classe.
Duas curiosidades da LT do "Maltezinho".
Participou, sem qualquer dificuldade e grande satisfação do proprietário, no 13º Lés-a-Lés, em 2011, entre Mogadouro, Castelo de Vide e Lagoa.

E, como era obrigatório antigamente, a mota tem uma placa identificadora do seu proprietário, só que de Prata.
Um Luxo.



