A novíssima K1600 B Bagger.

Utilizei-a para gerir e participar no evento do BMW MC PT,
26º Aniversário BMW MC PT - Santarém
Podem clicar para ver.
Tirando parte da roupagem exterior, tudo, ou quase tudo na K1600 B, é igual á K1600 GTL.
O motor.

Com 1.649 c.c., distribuídos por 6 cilindros em linha transversais, apresenta 160 hp e 170 Nm de binário, 70% dos quais, disponíveis logo às 1.500 rpm.
A caixa de velocidades, com seis relações de transmissão.

E, neste caso, com Assistente de Mudança de Velocidades Pro, Quick Shift, um extra.

O quadro, em dupla trave de alumínio fundido, com motor autoportante.

As suspensões, com Duolever e amortecedor central, na dianteira.

E Paralever na traseira.
Têm um curso ligeiramente inferior ao das irmãs K1600, menos 10mm.
Os travões, com sistema Integral Parcial, e Integral ABS.

Contam com dois discos flutuantes, de 320 mm de diâmetro e pinças fixas de quatro êmbolos, na dianteira.
E disco simples, de 320 mm de diâmetro e pinça flutuante de êmbolo duplo, na traseira.
As rodas, com 3,50 x 17" na dianteira.

E 6,00 x 17" na traseira.

O Cockpit.

A tampa do local reservado para o GPS permite esta brincadeira.

Os comandos.



Com a famosa e práctica "rodela" multifunções.

As manetes, reguláveis no afastamento.


Os excelentes faróis.

Com Adaptive Xenon.

A distância entre eixos e o ângulo da coluna de direcção, são também iguais nos dois modelos.
Os poisa pés são semelhantes aos da GTL, largos e confortáveis, estão é mais baixos.
Os do condutor.

Os do pendura.

O comprimento, a largura e altura da Bagger, são iguais aos da GTL.
A altura do banco e o arco interior das pernas é também igual.
Mas, as diferenças exteriores começam logo na parte frontal.
Com o vidro de protecção, eléctrico, de muito menores dimensões.




E os espelhos, mais volumosos, com um design diferente.




Seguindo para os lados, são notadas as plataformas para colocar os pés na dianteira, com as pernas esticadas.


A identificação desta K1600, conta com um "B" de Bagger, na lateral.

E no banco.

As carenagens laterais, que protegem as pernas do condutor, têm um recorte diferente e perdem os espaços de arrumação.

Os comandos exteriores do "Rádio" são semelhantes aos da GTL.

Podendo o mesmo, como na GTL, ser comandado pela rodela multifunções.
Os faróis suplementares também são semelhantes.


Subindo um pouco, podemos ver um "estranho", e volumoso guiador, muito diferente dos que são habituais nas BMW's deste tamanho.


A amarração do guiador é feita ao estilo das nineT's, talvez a um nível, um pouco abaixo do de uma K1600.


O painel de informações é muito semelhante ao da GTL.





Com o Computador de Bordo a dar as mesmas informações sobre:
- Consumo Médio
- Consumo Instantâneo
- Autonomia
- Velocidade Média
- Temperatura Exterior
- Pressão dos Pneus
- Cronómetro
- Tempos de Viagem
- Data
- Tensão de Bordo
- Nível do Óleo
- Conta quilómetros parciais, Trip1, Trip2 e Trip Auto
Assim como as colunas do sistema sonoro.

Está presente o mesmo engenhoso, mas eficaz, sistema de encaixe e bloqueio do GPS.




Os "pesos" estabilizadores nas pontas do guiador têm o mesmo acabamento da GTL.


O sistema de deflectores de ar "fresco" para o condutor, também é muito semelhante.


Muito diferente é toda a zona traseira.


Com especial destaque para as malas.


Banco.


Pegas do passageiro.

Iluminação traseira.


E escapes.


A ausência do Top Case, que não está disponível como extra, também modifica, e muito, o "Look" da Bagger.
As malas, apesar de parecerem pequenas, têm um espaço interior muito grande, podendo, além de muitas outras coisas, albergar um capacete integral em cada uma delas.

O sistema de tranca e abertura, é semelhante ao das malas das outras BMW Touring.


Como na carenagem lateral da Bagger, desapareceu o espaço para colocar, e conectar, os aparelhos electrónicos, existe agora, na mala direita, esta bolsa com a mesmo função.



As malas, que são forradas interiormente de borracha têm, na sua base inferior, uma rede muito útil para que os objectos não andem espalhados e para que, com a abertura das tampas, estes não caiam para o chão.
Podem no entanto ser recolhidas para a base, para que não ocupem espaço.

Estas malas não são facilmente removíveis.
No rebordo interior da mala esquerda, está a patilha que serve para destrancar o banco.


Que é único.

E que esconde, os sistemas electrónicos, nomeadamente, a plataforma audio e bluetooth, Alpine.

Os fusíveis, ficha de diagnóstico, bateria, e o kit básico de ferramenta, composto por uma chave de fendas/torx e uma chave torx.

O banco tem também uma zona para colocar, em segurança, o Manual do Utilizador.

Para ser totalmente retirado, é necessário desconectar a ficha, que alimenta o aquecimento do banco.

Que é feito separadamente, condutor e passageiro, em dois níveis.

Este banco não tem regulação de alturas.
Duas tomadas de corrente estavam presentes.
Uma junto do condutor.

Outra junto do passageiro.

Esta Bagger é muito apelativa quando está parada.

Principalmente, quando vista pela traseira, pois ou seu estilo "Americano", é muito diferente do que estamos habituados a ver por cá.


Mas é a andar, que tudo o que ela tem realmente para nos oferecer, aparece.
Apesar de pesar menos 24 kg que a GTL, a Bagger é "volumosa", e até "pesada".
No entanto, logo que nos sentamos nela, tudo se modifica.
O banco do condutor, muito baixo, e bem desenhado.

Permite o total controlo da Mota, enquanto estamos parados.
Aliado a isto, a Marcha a Trás, um dos muitos extras presentes, que se "engata" com o botão "R".

E se aciona no botão de "arranque".

Dá uma enorme ajuda, e um grande descanso, sempre que somos obrigados a fazer manobras de estacionamento, em espaços mais reduzidos e inclinados.
Pena é que, apesar de eléctrica, sempre que se aciona a marcha a trás, o regime do motor seja significativamente acelerado, chamando a atenção de quem está à nossa volta.
Mas esta Bagger é feita para andar, principalmente para a frente.
Assim, logo que se engata a 1ª, apesar do "solavanco" inicial, tudo é de uma suavidade impressionante.
A embraiagem, muito leve e progressiva, proporciona um inicio de marcha muito confiante.

Claro que o baixo centro de gravidade ajuda muito mas, o que mais impressiona, é a disponibilidade deste "enorme" motor, que é grande em capacidade, mas não em tamanho, e que faz jus ao que a BMW anuncia.
75% do binário, logo disponível às 1.500 rpm.

Longe vai o tempo dos primeiros K1600 da BMW.
É assim possível andar a baixa velocidade, na cidade e no meio do transito, com grande desenvoltura e à vontade, sem sermos obrigados a trocar de relação de caixa com frequência.
O Quick Shift ajuda muito, pois trata de tudo com rapidez, eficiência e suavidade.
Apesar do "tamanho", e do "peso" da Bagger, parece que estamos a conduzir uma mota muito mais pequena.
Por defeito, selecionei logo o "Modo" de condução Dynamique, que permite uma resposta muito enérgica do motor, a qualquer movimento do acelerador.

Existem também os modos Rain e Road mas, como não andei à chuva, este foi o que me satisfez mais.
Quanto aos modos de amortecimento, estão disponíveis o Cruise, mais suave, e o Road, mais seco.
Na cidade, comecei por usar o Cruise, para ultrapassar melhor, as muitas irregularidades do piso de algumas zonas de Lisboa.

No entanto, logo que entrei numa via rápida, foi indispensável passar para o modo Road pois, de outra forma, a condução, principalmente em curva, torna-se algo incerta.
As grandes massas em movimento, e a suavidade das suspensões, nunca se deram muito bem.
Neste contexto, a Bagger começa a revelar as grandes qualidades que herdou da GTL.
O conforto e a eficácia das suspensões, permitem um desempenho muito rápido e seguro, à medida que a estrada vai passando a grande velocidade.
Até a protecção aerodinâmica é muito boa, apesar da pequenez do vidro de protecção.
Para este facto, contribui certamente a posição muito baixa em que o condutor está instalado.
Quase que chegamos a pensar, vidros maiores para quê?
Neste tipo de vias, e nas autoestradas, é possível atingir num ápice velocidades muito elevadas, sem qualquer turbulência, quer na dianteira, quer na traseira, com a Bagger a seguir sobre "carris", a trajectória escolhida.
O vidro mais pequeno, e a ausência de Top Case, notam-se bem.
É também possível encontrar uma posição de condução descontraída e confortável, com a possibilidade de colocar os pés nas plataformas dianteiras e assim esticar as pernas, mantendo uma boa protecção aerodinâmica.
Melhor, só se fosse possível "afinar" o posicionamento do guiador para que, em função do posicionamento do tronco do condutor, a inclinação do mesmo se mantivesse constante.

Felizmente, nos percursos que realizei à volta de Santarém, durante o fim de semana do 26º Aniversário do BMW MC PT, também tive a oportunidade de experimentar a Bagger em muitas estradas nacionais, algumas sinuosas.
Nesse ambiente, é com enorme satisfação que tudo se desenrola.
Primeiro, a resposta do motor, sempre muito "cheia" e "redonda", permitindo andar, quase sempre em 6ª, desde as mais baixas velocidades.
Responde vivamente, e sempre sem qualquer hesitação, a qualquer pequeno movimento do punho direito.
A suavidade, e a vivacidade, são as características mais evidentes deste 6 cilindros em linha, cheio de binário, a todas as rotações.
Depois, a caixa de velocidades, com Assistência Pro, Quik Shift, e com uma embraiagem muito suave, que só é necessária para arranca e parar.
Esta Assistência Pro é duma eficiência a toda a prova, quer a subir, quer a descer de relação, em baixas e em altas rotações do motor.
Esta trilogia, com uma caixa de 6 relações bem escalonadas, uma embraiagem multidisco em banho de óleo muito suave e a Assistência Pro na mudança de relações, permite uma enorme rapidez, eficácia, segurança e conforto, nos percursos sinuosos.
A mudança de relação de caixa, apesar de não ser necessária com muita frequência, é sempre muito fácil de operar, sem causar qualquer descompensação dinâmica, no conjunto e na trajectória.
Muito importante é também a qualidade da travagem, Integral Parcial, onde a manete actua no travão dianteiro e traseiro e o pedal só no traseiro, com Integral ABS que, para além do anti-bloqueio, também distribui a força de travagem, entre o eixo dianteiro e traseiro, permitindo que, apesar da grande massa da Bagger, a travagem seja muito potente, mas muito doseável e bem repartida, conseguindo desacelerações muito fortes, sempre seguras e consistentes.
A suspensão, que não afunda, mesmo em travagens muito fortes, também mantêm tudo sobre controlo.
À entrada, durante, e à saída das curvas, nunca há necessidade de manobras e pensamentos correctivos, a qualquer reacção intempestiva, pois tudo acontece de forma previsível, sem surpresas.
Nas curvas, quando "abusava" um bocadinho, a grande preocupação era somente a necessidade de levantar as biqueiras das botas, para que estas não batessem no solo.
Como os poisa pés do condutor estão posicionados mais perto do solo do que na GTL, com alguns abusos, é fácil chegar com eles, e com as biqueiras das botas, ao chão.
Apesar de o conceito "Bagger" ser associado a longas estradas, com poucas curvas, as qualidades dinâmicas desta BMW permitem fazer, com naturalidade, muitas curvas, a ritmo muito elevado, sendo só necessário ter cuidado com a pouca distância dos poisa pés do condutor ao solo.
À saída das curvas, o controlo de tracção permite optimizar a enérgica resposta do motor, sendo uma verdadeira delicia sentir o poder de aceleração da Bagger.
É assim sempre com muita pena que chegamos ao fim dos nossos percursos, pois temos sempre vontade de continuar a fazer km's, aos comandos desta fantástica BMW.
O modelo experimentado tinha também o extra de assistência ao arranque nas subidas, Hill Start Control, muito útil numa mota pesada como é a Bagger.
Também estavam disponíveis os recursos multimédia, como o rádio.

As ligações por bluetooth.
E por cabo, aos aparelhos pessoais e capacetes.

De vez em quando, vai ser necessário colocar gasolina no depósito, com capacidade para 26,5 l, exactamente igual à da GTL.

Durante este fim de semana, fiz 454,1 km, nem sempre a ritmos muito "calmos" e "recomendáveis, com uma média de consumo de 6,4 l.

O que não é mau.
Esta mota tinha o extra Keyless que, com um comando, tranca e destranca as malas e o bocal do depósito.

E que, quando está próximo da Mota, autoriza o arranque do motor, por acção no respectivo botão.

Que também serve para trancar a direcção.
Igualmente, estava presente a tranca centralizada das mesmas fechaduras, comandada pelo botão no punho direito.

No mesmo local está também o comando dos Modos de Condução, Rain, Road e Dynamic.
Para abrir o depósito de combustível, é sempre necessário desligar a mota pois, mesmo que tudo esteja destrancado, com a ignição ligada, nunca é possível abrir o bocal.
A operação de colocar combustível na Bagger não é das mais fáceis.
O guiador, que esteticamente não é muito consensual, neste particular, também não ajuda.

A sua barra transversal fica quase que na vertical do bocal do depósito, impedindo uma fácil colocação da agulheta da bomba de combustível.


Este é o único "defeito" da K1600 Bagger, pois a "queixa", que existia nas K1600, que era a inexistência de marcha a trás, ficou resolvida no final de 2016.
Seria interessante a BMW rectificar o desenho do guiador.
Para além de pouco "consensual" esteticamente, cria dificuldades no abastecimento.
Como já referi atrás, bom mesmo era ter uma afinação de amplitude, para permitir colocar os pés na dianteira, e o corpo para trás, mantendo o tronco na vertical.
No meio de todos estes percursos, em Escaroupim, ainda consegui fazer uns km's numa estrada de terra batida onde, apesar das limitações dos pneus, das suspensões, e do peso, a Bagger, com um centro de gravidade muito baixo, se portou muito bem, ao nível das GS(A)'s que a acompanhavam.
Concluindo.
A Bagger, mantendo todas as características e qualidades da K1600 GTL, acrescenta um visual muito distinto, e apelativo, para quem gosta.


Com um centro de gravidade muito baixo, uma altura do banco do condutor também muito baixa e menos 24 kg que a GTL, o controlo desta Mota, quando parada, fica facilitado.
Para tiradas mais longas, acrescenta a descontração da posição de condução "Chopper", ainda que todas as dimensões, geometria, estrutura e mecânica da Bagger se mantenham iguais à da GTL.
Acrescenta também, a ausência de turbulências a altas velocidades.
A única diferença, é a menor altura dos poisa pés do condutor ao solo, o que limita os abusos, nos ângulos de abordagem às curvas.

Foi uma experiência muito enriquecedora, andar uns quantos dias com a K1600 B Bagger.
Só me resta agradecer à Motomil, a excelente oportunidade que me proporcionou.


