Por José Morgado:
O mais importante para ter confiança na compra de uma mota em 2ª mão é a existência de um livro de revisões, devidamente preenchido, de acordo com o plano de manutenção oficial e de preferência em concessionários oficiais.
Para além disso, e podendo estar a esquecer-me de algum aspecto importante, convém ter em atenção os seguintes "pormenores".
Travões:
-Ver o estado de desgaste dos travões, principalmente dos discos, pois são caros a substituir. Com o uso, é normal o seu desgaste, para o "medir", passar com um dedo no sentido radial, do centro para o exterior, deverão sentir-se relevos circulares. Se esses relevos forem muito pronunciados e se junto da borda exterior a diferença de altura for muito evidente, quer dizer que os mesmos já estão gastos e precisarão de ser substituídos rapidamente.
-Convém também ver se estão “ovalizados”. Para isso terá de se por a mota em andamento e testar a travagem suavemente. Se a redução de velocidade for constante, estão bons, se a travagem for aos solavancos, quer dizer que estão empenados.
-Ver também se existem fugas nas tubagens do sistema hidráulico, nas bombas, junto à manete e pedal e nas bombites, junto dos discos.
-Nas motas com ABS, as BMW’s quase todas têm, deverá ter-se em atenção a possíveis fugas na bomba central, assim como à luz avisadora no painel. Deverá acender-se quando se liga a ignição e apagar-se de seguida, em andamento nas mais antigas, ou depois do teste inicial, nas mais modernas.
-Controlar o nível de óleo no depósito da manete e no depósito do pedal, se estiverem baixos, denotam um desgaste acentuado, ou dos discos ou dos calços.
Suspensão:
-Controlar visualmente se existem fugas de óleo nos amortecedores e se existem falhas/rupturas nas zonas de ancoragem dos amortecedores no quadro e nos eixos da suspensão.
Jantes:
-Com a mota parada no descanso central, tentar por as rodas a rodar manualmente e olhar fixamente para as bordas exteriores das jantes. Se as oscilações foram muito notórias, quer dizer que as jantes se encontram empenadas.
Transmissão final, veio de transmissão:
-Em andamento, a baixa velocidade e com a mota engatada, acelerar e desacelerar, suavemente, tentando ver se existem folgas no veio de transmissão e diferencial.
-Também em andamento, tentar perceber se é audível alguma “zoada” na zona do diferencial, se existir é provável que exista alguma deficiência, nas engrenagens, nos rolamentos, ou nos retentores interiores.
-Ver também se existem zonas babadas de óleo, se existirem é muito mau sinal.
Transmissão, por corrente:
-Ver o estado dos dentes do pinhão de ataque e cremalheira.
-Ver a posição dos esticadores da corrente. Se já estiverem no limite da afinação, quer dizer que a corrente já está muito gasta.
Depósito de combustível:
-Isto só se aplica a motas antigas/clássicas, em que os depósitos são de metal/chapa. Nestes e com o passar dos anos, a pintura interior, de fraca qualidade, vai-se perdendo, permitindo, quando os mesmos não estão totalmente cheios de gasolina, a oxidação do seu interior. Aparece assim uma camada de ferrugem, que, ao liberta-se para a gasolina, vai entupir os sistemas de alimentação de combustível, torneiras, filtros, etc. e os sistemas de carburação ou injecção. Nestas motas, convém abrir a tampa do depósito, espreitar para o seu interior, de preferência com uma lanterna, ou passar mesmo os dedos nas paredes interiores acessíveis. Se a ferrugem for perceptível, visualmente nas paredes do depósito ou nos dedos, para uma utilização sem percalços da mota, deve contar-se, desde logo, com um tratamento interior do depósito, utilizando uma resina epoxi especial, que resolve definitivamente o problema.
Embraiagem:
-Testar o arranque, pretende-se que seja suave, mesmo a baixa rotação. Se houver sobressaltos, ou o disco ou o prato estarão com problemas.
-Com a mota em andamento, em baixa velocidade e com uma mudança média/baixa engatada, rodar o acelerador com vigor. Se houver um deslizar das rotações do motor, estilo caixa com variador contínuo, vulgo "acelera", quer dizer que, ou o disco, ou o prato, ou as molas, ou todos eles, estão com problemas. As intervenções na embraiagem são normalmente dispendiosas, pois implicam a desmontagem de toda a parte traseira da mota.
-Inspeccionar visualmente a não existência de fugas no sistema hidráulico de accionamento e a integridade dos tubos, ou cabo, no caso das mais antigas.
-Controlar o nível de óleo no depósito da manete, se estiver baixo poderá denotar um desgaste acentuado do disco da embraiagem.
Caixa de velocidades:
-A engrenagem das diversas mudanças, quer na sequência ascendente quer na descendente, apesar de algum mau feitio que as BMW’s às vezes têm, deverá ser possível sem contratempos, nem a necessidade de aplicar “duplas” ou outras manobras do género. Se existirem dificuldades permanentes no engreno de mudanças, quer com a mota em andamento quer com a mota parada, é sinal que existe alguma avaria na caixa ou na embraiagem.
Motor:
-Os motores de injecção deverão, mesmo a frio, arrancar sem problemas, os mais antigos com o “choke” actuado, os mais recentes sem mais nenhuma intervenção e deverão manter-se em funcionamento regular ao ralenti. Se tal não acontecer algum problema existe.
-Ter em atenção a ruídos estranhos ou “zoadas” interiores. Quando existem deficiências internas, ruídos estranhos podem ocorrer quando o motor está frio ou quando o motor está quente e denotam problemas internos de natureza diferente.
-Ainda com a mota parada, deverá testar-se o tipo de gases de escape que saem quando se fazem umas acelerações mais vigorosas. Se forem azulados, quer dizer que a estanquicidade entre os cilindros e os pistões já teve dias melhores, denunciando a necessidade de uma intervenção ao nível dos segmentos, cilindros e pistões.
-Em andamento e em aceleração, o aumento de rotação deverá ser regular, sem “engasganços” e sem “poço”, se estes acontecerem, é sinal de problemas na injecção/carburação e/ou ignição.
-Deverá também ser feita uma inspecção visual para detectar possíveis fugas de óleo no motor, cabeças e caixa de velocidades.
-Controlar o nível do óleo do motor, se estiver muito baixo é mau sinal.
Sistema eléctrico:
-Controlar o bom funcionamento de todos os sistemas eléctricos, painel de instrumentos, computador de bordo, controlo da posição do vidro dianteiro, luzes, piscas, buzina, stop, punhos e bancos aquecidos, alarme, rádio, etc. Este controlo deverá ser feito em primeiro lugar com o motor a funcionar e depois, novamente, com o motor desligado. Assim poderemos ficar a saber se a bateria ainda está em estado razoável de carga.
Malas e Top Case:
-A grande maioria das BMW’s estão equipadas com malas e top case. Convém inspeccionar a integridade das mesmas e dos respectivos suportes. Verificar também o bom funcionamento de encaixes, fechaduras e trancas.
Zonas mais escondidas:
-Convém sempre abrir ou retirar os bancos e espreitar para as zonas escondidas do quadro. Interessa ver se não existem, rupturas ou soldaduras em mau estado, zonas com muita oxidação e também tentar perceber se as cablagens eléctricas estão em bom estado, sem pontas e fichas soltas, ou com cabos diferentes dos originais.
-Controlar visualmente o estado da bateria, se estiver com os terminais muito oxidados e com zonas esbranquiçadas com aspecto de "neve", resumindo, com mau aspecto, a mesma terá, quase de certeza, de vir a ser substituída brevemente.
«««Manual de compra dum usado»»»
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Re: «««Manual de compra dum usado»»»
Se alguma coisa correr mal na compra, não me responsabilizo pelos resultados!!!
José Morgado
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